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Projetos
Mostra · CasaCor 2025

Jardim de Inverno

Nativas da Mata Atlântica dentro de uma construção normanda centenária. O paisagismo que a REURBE criou para o ambiente de Fernanda Zulzke no Parque da Água Branca.

Antessala do Jardim de Inverno com poltronas em torno de uma árvore nativa em cesto de fibra, diante da chinoiserie pintada à mão
Conceito geral

Mata Atlântica dentro de uma casa centenária

O ambiente ocupa 35 m² de uma das construções normandas do Parque da Água Branca, divididos entre antessala e banheiro. A arquitetura de Fernanda Zulzke partiu das casas do interior da França e trouxe janelas em arco, luz natural abundante e uma chinoiserie pintada à mão nas paredes. Coube ao paisagismo dar corpo vivo a essa atmosfera.

Nossa escolha foi trabalhar exclusivamente com espécies nativas da Mata Atlântica. Em um ambiente que fala de memória e de tempo, plantar o que é daqui era a decisão mais coerente: são espécies que pertencem a este clima, que sustentam fauna e que não dependem de artifício para prosperar.

Cada exemplar entrou na composição por três critérios: a textura da folha, a altura que alcança e a sombra que projeta sobre a parede pintada. O jardim não compete com a arquitetura. Ele ocupa os cantos, sobe junto às janelas e devolve ao ambiente a sensação de que a vegetação sempre esteve ali.

Um jardim que parece sempre ter estado ali.
O paisagismo
Árvores nativas em cestos de fibra ao longo da parede pintada à mão, com poltrona e abajur em primeiro plano
Antessala

Onde a planta encontra a pintura

O pé-direito alto pedia vegetação com verticalidade. Trabalhamos com exemplares de porte que sobem em cestaria de fibra natural e alcançam a faixa de parede onde a chinoiserie se dissolve em fundo claro, de modo que a folhagem real continue o desenho da folhagem pintada.

Ao longo do dia, a luz que entra pelas janelas em arco lança sombras dessas copas sobre o mural. É a parte do projeto que só existe quando o jardim está vivo: a planta desenha na parede aquilo que o pincel não conseguiria repetir duas vezes igual.

Canto da poesia

Um recanto para o ócio criativo

Junto à escrivaninha e à janela, a vegetação muda de escala. Aqui ela trabalha rente ao mobiliário, em vasos de cerâmica marfim e composições baixas que emolduram o lugar sem disputar a luz que ilumina a mesa.

Ramos secos, plumas de rabo-de-burro e pequenas floradas convivem com as espécies plantadas. A mistura entre o que está vivo e o que já secou é proposital: as duas coisas fazem parte do mesmo ciclo, e o jardim ganha em textura ao mostrar isso.

Escrivaninha azul clara sob a janela em arco, com vasos de cerâmica, banqueta e sofá de vime
Matéria e tempo

O que resiste, permanece

No banheiro, a arquitetura optou por restaurar em vez de substituir. Os azulejos originais foram preservados, as portas em madeira maciça recuperadas à mão, e rodapés e batentes moldados com a madeira do próprio prédio. As camadas do tempo ficaram à vista, não como imperfeição, mas como marca de autenticidade.

O paisagismo seguiu a mesma lógica. Nada de espécies de efeito imediato que se esgotam depois da mostra: escolhemos plantas que envelhecem bem, que ganham porte e presença com os anos e que continuam fazendo sentido depois que as portas fecham.

Passagem emoldurada pela chinoiserie para o banheiro restaurado, com porta de madeira maciça e piso em mosaico original
Canto do ambiente com escrivaninha, banqueta e vegetação nativa junto à janela em arco
Colab · Arquitetura

Paisagismo desde a primeira planta

Um ambiente de mostra tem prazo curto e nenhuma margem para ajuste depois da abertura. Por isso o paisagismo entrou junto com o projeto de arquitetura, e não ao final dele. Definimos cedo onde cada árvore ficaria, quanta luz cada canto receberia e como a vegetação conversaria com a chinoiserie, com a marcenaria e com o mobiliário entalhado em jequitibá.

O trabalho artesanal foi o fio que uniu as duas partes. A pintura feita à mão nas paredes, a tapeçaria retrô, as fibras naturais e as plantas escolhidas uma a uma partem da mesma premissa: em um tempo de urgência e produção em massa, propor o retorno ao essencial e à contemplação.

Arquitetura: Fernanda Zulzke

Galeria

O ambiente em imagens

Da antessala ao banheiro restaurado, registros do Jardim de Inverno em diferentes ângulos e horas do dia. Clique para ampliar.

Fotografia do ambiente por Salvador Cordaro. Arquitetura e interiores por Fernanda Zulzke. Paisagismo por REURBE.

Um jardim assim pode ser o seu.

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