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Processo Ago 2026

Quanto custa um projeto de paisagismoComo o preço se forma, o que deve estar na proposta e onde o dinheiro de um jardim é bem ou mal gasto

Jardim projetado pela REURBE, com vegetação nativa em composição densa

Projeto REURBE, São Paulo.

É a pergunta mais frequente e a menos respondida. Quem procura um paisagista chega com ela e encontra páginas que dão voltas, pedem para preencher um formulário e não dizem nada.

Vamos responder. Não com uma tabela, porque ela não existiria de forma honesta, mas explicando como o preço se forma, o que deveria estar em qualquer proposta e onde o dinheiro de um jardim é bem ou mal gasto. No fim, você terá critério suficiente para avaliar qualquer estúdio, inclusive nós.

Parte 01

Projeto e execução: separar é a primeira honestidade

Esta é a confusão que mais atrapalha a conversa sobre preço.

O projeto é o trabalho de concepção: leitura do lugar, definição do partido, seleção das espécies, desenho técnico, especificações. É o que se entrega em imagens, pranchas e documentos.

A execução é a obra: preparo de solo, drenagem, substrato, irrigação, iluminação, vasos, pisos, mão de obra e as plantas. É onde o dinheiro efetivamente sai.

Na maioria dos jardins, a execução custa várias vezes mais que o projeto. Quando alguém diz que gastou um valor alto com paisagismo, quase sempre está falando da obra inteira, não dos honorários de quem a desenhou.

Na REURBE esses dois valores nunca se misturam. A proposta de projeto tem um preço próprio, e a estimativa de execução é apresentada à parte, discriminada item por item. Você recebe a planilha e decide livremente: contrata a REURBE para a execução, leva o projeto para outro executor ou usa um orçamento que já tinha. O projeto é seu.

Fazemos assim porque a alternativa, embutir a execução no projeto, cria um conflito silencioso: quanto mais cara a obra, maior o ganho de quem a especificou. Preferimos que a escolha das espécies responda ao lugar, e não ao orçamento.

Estudo tridimensional de um jardim de varanda, com vasos assimétricos, árvores frutíferas e forrações

O projeto é o que existe antes do jardim. Estudo do Projeto Uvaia, REURBE.

Parte 02

Quanto custa, na prática

O investimento total de um jardim se divide em duas linhas de tamanhos muito diferentes.

A execução concentra a maior parte. Numa varanda ou terraço de apartamento, ela se distribui entre vasos, substrato leve, vegetação e iluminação, e o item que mais faz o valor oscilar costuma ser o vaso, não a planta. Num jardim externo, entram preparo de solo, drenagem, eventual irrigação e intervenções estruturais, o que amplia bastante a faixa.

A etapa de projeto representa uma fração desse total. É a menor linha do orçamento e a que determina o desempenho de todas as outras: é ela que decide se o dinheiro da obra vai para o lugar certo. Na REURBE ela é orçada por escopo fechado, com valor definido depois da conversa inicial e da análise do espaço.

Um alerta útil: desconfie de quem dá preço antes de ver o espaço. Não é sinal de agilidade, é sinal de que a especificação virá pronta de outro lugar.

Parte 03

Por que não existe tabela oficial de paisagismo

Vale saber, porque explica a variação que você vai encontrar entre propostas.

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo publica tabelas de honorários de referência. O módulo hoje aprovado cobre projetos de arquitetura de edificações; a arquitetura paisagística está prevista para módulos futuros, ainda não publicados. Na prática, não há tabela oficial de paisagismo no Brasil.

O que o CAU reconhece são duas lógicas de remuneração: o percentual sobre o custo da obra, descrito como critério recomendado internacionalmente, e a remuneração baseada em custo, somando despesas de produção, direitos autorais e lucro.

Cada estúdio define o próprio método. Por isso, comparar propostas exige olhar o que está dentro de cada uma, nunca só o número no rodapé.

Parte 04

As três formas de cobrar, e a que usamos

Não há um modelo certo e dois errados. Há um que se encaixa melhor em cada tipo de trabalho, e há o incentivo que cada um cria.

Por metro quadrado

O mais direto

Um valor por m² multiplicado pela área de intervenção. Costuma ter mínimo, porque um jardim de 20 m² dá quase tanto trabalho de projeto quanto um de 60 m²: o levantamento, a visita e a especificação acontecem de qualquer forma.

Percentual sobre a obra

O de incentivo invertido

O honorário é uma fração do custo de implantação. Faz sentido em projetos de grande porte, mas cria a distorção que evitamos: projeto mais caro, honorário maior.

Escopo fechado

O que praticamos

Um preço para um conjunto de entregas descrito item a item: quantas etapas, quais documentos, quantas revisões e o que acontece se você pedir uma a mais. Você sabe o que vai receber e quanto vai pagar antes de começar, e nós não temos nenhum incentivo para inflar a obra.

Parte 05

O que realmente move o preço

  • Complexidade do programa. Um canteiro linear e um espaço com múltiplos jardins, iluminação cênica e frutíferas em vaso não são o mesmo trabalho, ainda que a metragem seja parecida.
  • Condições do lugar. Declive, solo compactado, drenagem deficiente ou acesso difícil aumentam o esforço de projeto e o custo da obra. Em varandas, restrições de carga e vento exigem estudo específico antes de qualquer escolha de espécie, assunto que tratamos em varanda de apartamento em São Paulo.
  • Nível de detalhamento. Um estudo conceitual custa menos que um executivo completo com detalhamento de canteiros, especificação de substrato por setor e planilha orçamentária. Boa parte da diferença entre duas propostas está aqui.
  • Intervenções complementares. Treliças, suportes, projeto de irrigação e iluminação entram quando o projeto pede e o cliente quer.
  • Deslocamento. Atendemos São Paulo e outras cidades; distância e número de visitas entram na conta.
Detalhe de jardim implantado pela REURBE, com camadas de folhagem e forrações

Cada condição de terreno muda o esforço de projeto antes de mudar a estética. Projeto REURBE.

Parte 06

O que deve estar em qualquer proposta

Esta é a lista que usamos, e que você pode usar para avaliar qualquer estúdio, inclusive nós. O detalhe de cada etapa está em como nasce um jardim.

  • Estudo preliminar personalizado. Análise do ambiente com medidas, clima, insolação e as preferências de quem vai viver ali. É a premissa que conduz todo o resto.
  • Estudo técnico e composição botânica. Seleção das espécies avaliando sistema radicular, porte final, velocidade de crescimento e compatibilidade entre elas. Sem isso, o jardim funciona no primeiro ano e briga consigo mesmo no terceiro.
  • Projeto preliminar detalhado. Seleção final apresentada com imagens 3D e descritivo de espécies, com justificativa técnica, estética e ecológica de cada escolha.
  • Projeto final. Executivo em DWG, orientações completas de execução e planilha orçamentária discriminada.
  • Revisões definidas em número. Nós incluímos três e dizemos por escrito o custo de uma quarta. Uma proposta que não diz quantas revisões inclui não é mais barata: é indefinida, e a conta aparece depois.
O custo que ninguém soma

Os dois critérios que barateiam o jardim ao longo do tempo

O custo de um jardim não termina na inauguração. Existe uma despesa recorrente que quase ninguém calcula na hora de contratar, e ela é decidida no projeto.

Baixa manutenção como critério de seleção. Toda escolha de espécie no nosso processo passa por uma pergunta: o que esta planta vai exigir daqui a três anos? Composições que dependem de poda constante, reposição frequente e adubação corretiva custam, ano após ano, mais do que a diferença entre um projeto bem-feito e um projeto barato.

Prioridade a espécies nativas do bioma. Uma planta nativa do lugar já está adaptada ao regime de chuva, à umidade e ao solo da região. Resiste mais, pede menos água e menos correção, e ainda devolve função ecológica ao espaço. É uma decisão ambiental que também é econômica.

O desperdício mais comum é o oposto disso: economizar na infraestrutura invisível, solo, drenagem e substrato, e gastar em vegetação adulta para ter efeito imediato. Planta grande é cara, sofre no transplante e, em solo mal preparado, morre com frequência. Muda bem especificada em solo bem-feito chega ao mesmo resultado por uma fração do custo, só que em dois ou três anos.

Para levar

Como se preparar para pedir um orçamento

Você acelera bastante o processo levando a metragem aproximada, fotos de todos os ângulos em dois horários do dia, a orientação solar do espaço (a bússola do celular resolve), uma ideia do uso pretendido — receber pessoas, contemplar, colher, brincar — e, se houver, a planta do imóvel.

Vale também dizer com franqueza a faixa de investimento pretendida. Isso não encarece a proposta: evita que se projete algo fora do que você quer executar.

Outras dúvidas frequentes sobre prazo, execução e atendimento fora de São Paulo estão respondidas nas perguntas frequentes.

Leia também

REURBE — estúdio autoral de paisagismo em São Paulo. Assinamos o Jardim de Inverno da CasaCor São Paulo 2025. Nossos projetos já foram publicados em Casa Vogue, Revista KAZA e Revista Olga.

Vamos conversar sobre o seu espaço?

A primeira conversa é sobre o lugar e sobre o uso. O orçamento vem depois, com escopo descrito item a item.

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